Todos gostamos de um clichê (devaneios sobre A Hipótese do Amor)
*pode conter spoiler, fica por sua conta e risco*
Há quem não goste, quem odeie ou quem critique, mas um clichê bem feito nunca fez mal a ninguém. Principalmente quando a aluna de doutorado de biologia beija um dos professores mais famoso e renomado de Stanford.
É assim que mergulhamos na história de Olive Smith, personagem principal de um dos livros mais comentados do ano, A Hipóteses do amor. Eu sei que você já tomou uma decisão idiota na vida e se um dia você decidiu entrar num namoro falso para convencer a sua amiga que não sente mais nada pelo seu ex na qual ela está apaixonada, então você tem mais coisas parecidas com a Ol do que você imagina.
A onda de comédias românticas que levam como tema o famoso "fake dating" (assim chamado pela comunidade de leitores e escritores, mas para nós meros brasileiros pode ser interpretado como namoro falso) voltou a ter grande visibilidade após o lançamento do filme "Para Todos os Garotos que Já Amei" e não parou nele, dando sequência a outras histórias que abordam o tema.
O fator Tik Tok é mais um dos elementos que agregam a fama do livro, não é a toa que passou a ser vendido com o indicador de "sucesso do Tik Tok", mas será que a história faz juz a fama?
Para dar uma reposta curta e direta, assim como o Adam faria, não é um livro ruim e também não é uma história surpreendente. Basicamente é um livro que tem mais do mesmo dentro do universo das comédias românticas clichês. E por que faz tanto sucesso? porque a Ali Hazelwood, autora do livro, é boa no que ela faz e escreve para fisgar você.
Se é de propósito ou um talento natural acho que nunca vou saber, o que posso afirmar de fato é que todas as historias do gênero possui uma formula quase que pré pronta, é o que nos leva a classificá-los como clichê, mas o que prende de verdade é como a autora decide fazer e escrever isso põe talento nisso.
A Ali escreve de um jeito no qual você vai consumindo o livro e nem percebe, quando você vê... Opss já está quase acabando! não tem nada de genial na escrita ou até mesmo no desenrolar da história, por muitas vezes acho que ela até peca na repetição de alguns fatos (Ali, já entendemos que o Adam é enorme!), mas esses elementos não precarizam o livro no geral, já que podemos facilmente ignorar tais coisas para descobrir qual vai ser a próxima mancada da Olive, o qual vai ser a próxima situação que vai fisgar a gente mais uma vez.
o que me leva a falar sobre os personagens e a química deles com a gente:
Olive e Adam
Claro que vou começar falando da dupla que deixa o leitor caidinho pela história. É inegável a incrível parceria entre os dois logo de cara e quando menos esperamos já estamos ansiando pelas quartas do namoro de mentira ou qualquer interação que seja entre os dois. Dizem que os melhores casais são aqueles que antes se tornam amigos e creio que esse caso se aplica aqui, ver o desenvolvimento da intimidade, e posteriormente os sentimentos, faz com que nos conectemos ainda mais com a história a ponto de sentirmos todas as emoções junto da protagonista.
Anh (e o Jeremy):
Como alguém pode ser legal e chatinha ao mesmo tempo? acho que esse é o melhor jeito para descrever o motivo disso tudo estar acontecendo, a melhor amiga da Ol, Anh. Digo chatinha no diminutivo pois ela não chega a ser realmente irritante a ponto de virar os olhos, apenas um tanto intrometida e devo dar o crédito por ela tentar se desculpar no final, já que também temos que entender que, as vezes, todos temos uma motivo meio torto para algumas ações. Apesar dessa questão, não podemos tirar o crédito de que a Anh é sim legal no final das contas e uma amiga e tanto para a Olive.
Já o Jeremy está no parênteses justamente por eu achar achar que é isso o que seu personagem é, uma informação que não é importante mas precisa estar ali para deixar a história mais amarrada e redonda.
Malcolm:
personagens podem ganhar um Oscar? Pois (para mim) ele deveria!
Na minha visão ele é tem a dosagem certa para a história, aparecendo em momentos para diversar finalidades (o gato é versátil), seja para dor uma certa noção para Olive, suporte ou nos fazer rir muito!
afirmo com certeza que o Malcolm é uma certa experiência a ser lida e traz um toque divertido e leve para a história.
(esse é spoiler) Tom Benton:
veio para cumprir a missão que foi dada, ser o antagonista babaca e detestável que trouxe um certo drama para história. Também pode ser descrito como o plot mais ou menos que a autora tentou criar.
Mas nem só de romance e coisas fofinhas se vive a história, a autora também tentou trazer como base alguns assunto importante como consentimento, sexualidade, autoestima e assédio, que aparecem como segundo ou terceiro plano, por vezes sutis, mas sem perder a relevância.
Por fim, mas não menos importante, preciso dar crédito a ambientação académica criada pela Hazelwood, que em nenhum momento foi chato ou forçado, mesmo não acompanhando a protagonista por muitos lugares, ainda nos sentimos muito inclusos, principalmente com uma linguagem divertida sobre o assunto.
CLASSIFICAÇÃO:
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